Quando ministrei uma palestra sobre o batuque, em uma universidade de Buenos Aires, em abril de 2016, contei, como sempre faço, algumas pequenas histórias sobre o que poderia ser chamado de os bastidores da pesquisa antropológica. São relatos e comentários a respeito de conversas e relações com os pesquisados, episódios de que participamos, sentimentos, impressões pessoais, observações, emoções, atitudes que tomamos no campo de pesquisa e assim por diante, pois nós, antropólogos, apesar da formação científica, somos pessoas como quaisquer outras. 

O artigo relata episódios que vivi e que  envolve, além de um sacerdote muito citado no meu livro, O Batuque do Rio Grande do Sul, Ayrton do Xangô, também o meu lado pesquisador e o pessoal, este um sujeito concreto, de carne e osso, como qualquer outro, com sentimentos e impressões, reflexões, que, claro, se faziam presentes nos momentos da pesquisa.

Este artigo (versão revisada) foi publicado na revista Horizontes Antropológicos, do Programa de Mestrado em Antropologia Social da UFRGS, nº 4, 1966, “Comida” e na coletânea “Antropologia e Nutrição: um diálogo possível”, publicada pela Fundação Oswaldo Cruz, 1966.

No texto, uma expansão do mesmo tema no meu livro O Batuque do Rio Grande do Sul, faço algumas considerações e interpretações antropológicas em torno à comida, no batuque, seu papel e características.

O texto aborda o processo de conversão de brancos ao batuque, vindas do catolicismo,  como praticantes   ou apenas por tradição familiar. Para desenvolver o assunto, foco e comparo principalmente os rituais, a distribuição e uso dos  espaços, nos templos, a dinâmica  de ambos e como as pessoas pensam e agem em uma e outra religião - ou seja  a visão de mundo que portam,  respectivamente.  

O trabalho fala sobre os tambores do batuque, originados da Nigéria, e outros, do mesmo tipo, em Recife e são Luís, no Maranhão. Aborda, também, a relação   ritmo e  corporalidade, projetando-a comparativamente,  sobre o pano de fundo das concepções batuqueiras e cristãs sobre o corpo, a dança e a sexualidade. 

Este texto também reúne dados de outros e foi feito para o leitor ter uma visão mais ampla, embora menos profunda,  do batuque.

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